quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Plano de Aula Sobre Cangaço Nordestino

PLANO DE AULA
Nome: Lucineia Moreira de Souza
Indicação: 8ªsérie A                                Colégio: Estadual D. Pedro I
Assunto: Cangaço Nordestino
Objetivos:
·        Contextualizar o movimento do Cangaço dentro das revoltas do início Brasil República.
·        Compreender o movimento do Cangaço no nordeste brasileiro enquanto ação de bandidos que percorriam o nordeste e enquanto movimento contra a exploração dos proprietários de terras que exploravam o povo nordestino.
·        Conhecer as principais características do Cangaço nordestino, bem como seus principais personagens.

INTRODUÇÃO:

O início da aula dar-se-á por meio de fragmentos de literatura de cordel (abaixo relacionados), que fala do movimento do cangaço nordestino. Assim com a leitura dos fragmentos, que será entregue a cada aluno, iniciará os questionamentos, como por exemplo: Qual o assunto abordado nos fragmentos?  O que vocês sabem sobre o Cangaço? Quem são os principais representantes do Cangaço nordestino? Vocês sabem por que aconteceu o movimento do Cangaço? Onde ocorreu esse movimento do Cangaço? A partir dessa pergunta mostrarei no mapa a região que os cangaceiros percorreram.

Os fragmentos utilizados para a aula serão os seguintes:

[...]
Fecha a porta, gente,
Cabeleira aí vem
Matando mulheres
Meninos também.

(Quadrinha popular de Pernanmbuco. Citada por: Frederico Pernambucano de Mello. Guerreiros do Sol, p.42)
[...]
Deus pai estando contigo
Pra mim, não tem embaraço
Uma orelha fica forte
Mais ou igualmente ao braço
Principalmente se for
Descrevendo o cangaço.

Apesar de esse tema
Ser um tanto complicado
E ter deixado o Nordeste
Bem tristemente marcado
Vou falar de outro aspecto
Este jamais abordado.

Discorrendo tal assunto
Só lembramos de aflição
Porém, ninguém se recorda
Talvez falte informação
Que o mesmo também foi
Algo, contra exploração.

Varneci Santos Nascimento. Disponível em:
http://varnecicordel.blogspot.com/2008/02/cangao-um-movimento-social.html


DESENVOLVIMENTO:

Após os questionamentos feitos sobre os fragmentos lidos,  e de modo geral apresentar o assunto que será trabalhado, bem como a região que os cangaceiros  percorreram, em seguida será feito a explanação do que seria o movimento do Cangaço, na tentativa de contextualizá-lo dentro das revoltas do Brasil República, bem como apresentá-lo o movimento enquanto característico do sertão nordestino.
Assim sendo, farei uso do seguinte texto:
O Cangaço1
Pode-se dizer que a Proclamação da República desencadeou inúmeras revoltas no Brasil, pois com a libertação dos escravos, com a Constituição de 1891 não houve iniciativa de incluir social, política e nem economicamente a grande população marginalizada, portanto, os ex-escravos, a população pobre, os sertanejos. Além disso, a organização do Estado brasileiro, segundo o modelo positivista trouxe como implicação a ordem para progredir, assim os grandes proprietários de terras, chamados também de coronéis, controlavam e exploravam a população marginalizada, principalmente na região do nordeste, para se manterem no poder.
Dessa forma pode-se dizer que o início da República brasileira foi marcada pelo predomínio das elites, doa grandes proprietários de terras no poder local e também por inúmeras revoltas e conflitos sociais.
O novo sistema eleitoral tinha acabado com o voto censitário como pré-requisito para o alcance de direitos políticos. Assim, a proibição do voto dos analfabetos acabou sendo mais um novo item de exclusão de uma grande maioria da população.
Nessa época, o problema da exclusão sócio-econômica atingiu as populações do campo e da cidade. No meio rural, a hegemonia opressora dos coronéis impulsionavam os camponeses a se aproximarem das alternativas oferecidas pelos líderes messiânicos como José Maria (Contestado), Antônio Conselheiro ( Revolta de Canudos) e Padre Cícero (Juazeiro/CE). Em situações mais extremas, o chamado banditismo social impulsionava a formação de grupos de cangaceiros que não reconheciam nenhum tipo de autoridade.
Nos centros urbanos, a exclusão era visivelmente fomentado por um governo ainda preso às tradições autoritárias e o perfil conservador dos grandes proprietários. Desse modo, observa-se a formação dos conflitos sociais como a formação dos levantes populares, como a Revolta da Vacina de 1904. Paralelamente, os militares também mobilizaram sua classe em torno de manifestações contrárias à hegemonia oligárquica, sendo a primeira delas na cidade do Rio de Janeiro, onde marinheiros tomaram conta de embarcações oficiais ao protestar contra os baixos salários e os castigos físicos combatidos na chamada Revolta da Chibata (1910).
Nota-se que o Brasil não tinha mais seu campo político restrito ao meio rural e as constantes crises da economia não mais suportavam um país essencialmente ligado à agro-exportação.
Sendo assim, entre o final do século XIX e começo do XX (início da República) no nordeste brasileiro, surgiu grupos de homens armados com cartucheiras, facas longas, carabina, que perambulavam pelo sertão nordestino, prestando serviço a um chefe político aqui, saqueando uma cidadezinha ali, vivendo da violência e da coragem, conhecidos como cangaceiros. Estes cangaceiros agiam em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina, devido principalmente a grande concentração de terras nas mãos dos grandes proprietários, pois ás vezes serviam aos fazendeiros, outras vezes resistiam a exploração da maioria da população, ou seja, estavam do lado do povo.
Por isso, o Cangaço enquanto movimento social, pode ser entendido um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros, os quais andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a seqüestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época.
Os cangaceiros não moravam em locais fixos,  viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência. Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos pelos policiais.
Os cangaceiros usavam roupas e chapéus de couro, próprio da região nordestina a criação de bois, para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga.  Além disso, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino para fugirem ou  se esconderem.
Existiram diversos bandos de cangaceiros, porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), conhecido como “Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930.
Em sua forma característica, ele surgiu no nordeste brasileiro e ficou conhecido como cangaço. Suas primeiras manifestações ocorreram por volta de 1870 e perduraram até 1940. alguns teóricos chamam o Cangaço como uma reação do tradicionalismo rural e a exploração dos coronéis.
Por isso, o cangaceiro, para alguns teórico é chamado de bandido social por que era um "fora-da-lei" como resposta às injustiças e perseguição pela comunidade, que, não raro, engrandecia seus feitos de coragem e valentia. Apesar disso, diferentemente do revolucionário, o bandido social não era necessariamente contra os dominantes, nem era portador de projetos de transformação social.
Os conflitos eram constantes, devido à imprecisão dos limites geográficos entre as fazendas e às rivalidades políticas, transformadas em verdadeiras guerra entre poderosas famílias. Cada uma destas fazia-se cercar de jagunços (capangas do senhor) e de cabras (trabalhadores que ajudavam na defesa ), formando verdadeiros exércitos particulares.
Depois da grande seca na década de 1870 começo a surgir os primeiros bandos de jagunços, armados, independentes do controle dos fazendeiros. Contudo, somente na República o Cangaço ganhou a forma conhecida, com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Que aterrorizou o nordeste de 1920 a 1938.
Nesse sentido, as práticas dos cangaceiros justificava -se com a proclamação da República em 1889, pois implantou-se no Brasil o regime federalista, que concedeu uma ampla autonomia às províncias, fortalecendo as oligarquias regionais. O poder dessas oligarquias regionais de coronéis se fortaleceu ainda mais com a política dos governadores iniciada por Campos Sales (1899-1902), assim, o poder de cada coronel era medido pelo número de aliados que tinha e pelo tamanho de seu exército particular de jagunços.
No entanto, nos estados mais pobres, como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, os coronéis não eram suficientemente ricos e poderosos para impedir a formação de bandos armados independentes. Desse modo, o ambiente se tornou propicio para o surgimento do bando de Lampião, por volta de 1920.
Biografia do Lampião
Cangaceiro pernambucano (1900-1938). Virgulino Ferreira da Silva nasce em Vila Bela, atual Serra Talhada. Começa a agir em 1916, depois que a perseguição de sua família por um coronel da região resulta na morte de seus pais. Foge para o sertão e junta-se a um grupo de cangaceiros. Seu bando obtém fama pela crueldade e violência de suas ações. Virgulino ganha o apelido de Lampião por se gabar dos clarões - "tal qual um lampião" - provocados por sua espingarda nos enfrentamentos com a polícia. Conhecido também como Rei do Cangaço, atua principalmente no sertão de Sergipe e da Bahia. Na época da Coluna Prestes é convidado pelo Padre Cícero para ajudar o governo no combate aos revoltosos . Aceita o convite e aproveita a oportunidade para melhor armar seu bando. Em 1929 conhece Maria Bonita , que se integra ao grupo e lhe dá uma filha, Maria Expedita. Em julho de 1938, seu bando é surpreendido por uma ataque da tropa polícil, que tomou parte no fuzilamento e na degola dos cangaceiros, se compunha de 48 homens. O tenente João Bezerra que chefiava o ataque disse que foi rápido. Cercaram os bandidos num semicírculo. Um soldado da polícia foi morto, alguns ficaram feridos e 11 cangaceiros tiveram suas cabeças cortadas e exposta como sinal de mal exemplo, o qual não poderia ser seguido pela população.

METODOLOGIA:
A aula ocorrerá de forma expositiva, levando em conta a participação dos alunos sobre o assunto, terá como material de apoio um pequeno texto, o qual é resumo da aula que será explanada, assim como os alunos terão cópia dos fragmentos da literatura de cordel usados para apresentar o assunto. Farei uso do mapa da Brasil para mostrar a região que abrangeu o Cangaço, para que os alunos consigam situar o Cangaço as característica típicas do sertão nordestino.

CONCLUSÃO:
Para concluir a aula os alunos deverão responder um questionário de múltiplas escolha sobre o assunto trabalhado em sala, tendo como apoio o texto explicado na aula, os fragmentos da literatura de cordel. No entanto, antes de responderem o questionário será explanado cada questão coletivamente, no intuito de tirar dúvidas sobre as questões que poderão surgir.
Dessa forma, observe a seguir o questionário:

Questionário sobre Cangaço

Leia com atenção a letra da música:
Lampião Falhou

Eu não sei porque cheguei
Mas sei tudo quanto fiz
Maltratei fui maltratado
Não fui bom, não fui feliz
Não fiz tudo quanto falam
Não sou o que o povo diz

Qual o bom entre vocês?
De vocês, qual o direito?
Onde esta o homem bom?
Qual o homem de respeito?
De cabo a rabo na vida
Não tem um homem perfeito } bis

Aos 28 de julho
Eu passei por outro lado
Foi no ano 38
Dizem que fui baleado
E falam noutra versão
Que eu fui envenenado

Sergipe, Fazenda Angico
Meus crimes se terminaram
O criminoso era eu
E os santinhos me mataram
Um lampião se apagou
Outros lampiões ficaram } bis

O cangaço continua
De gravata e jaquetão
Sem usar chapéu de couro
Sem bacamarte na mão
E matando muito mais
Tá cheio de lampião
E matando muito mais
Tá assim de lampião
E matando muito mais

Na cidade e no sertão
E matando muito mais
Tá sobrando Lampião
Gonzaga, Luís. Disponível em: http://luiz-gonzaga.musicas.mus.br/letras/1561844/

1) Qual o assunto tratado na música:
(a) A música procura abordar a morte de Lampião, no ano de 1938,  fazendo uma crítica aos que o mataram, por isso diz-se que existe muitos  lampiões.
(b) Retrata a submissão dos cangaceiros aos grandes proprietários.
(c) Fala como Lampião e Maria Bonita se conheceram.
(d)    Procura abordar as diferenças entre os cangaceiros e os coronéis.
2) O que significa os versos: “O criminoso era eu/ E os santinhos me mataram/ um lampião se apagou”.
(a) Os versos procuram dizer que Lampião o maior criminosos e os coronéis eram os santinhos.
(b) Os versos retratam da crítica feita aos santinhos que mataram lampião.
(c)  Os versos dizem sobre a morte de lampião.
(d) Retratam a vida de Lampião com Maria Bonita.



3) Quem eram os cangaceiros? Qual a região que atuavam?
(a) Os cangaceiros eram homens armados com cartucheiras, que perambulavam a região Centro-oeste.
(b) Eram homens armados que andavam pelo sertão do Nordeste, muitas vezes atacavam povoados, fazendas, roubavam cometiam violências, mas também resistiam a exploração dos grandes proprietários.
(c) Os cangaceiros eram homens que apenas resistiam a exploração dos coronéis.
(d)  Eram homens que ajudavam os pobres do sertão nordestino.

4) No Brasil República, qual o movimento social, também conhecido como Banditismo Social brasileiro, que se desenvolveu no sertão do Nordeste :
(a) Revolta da Vacina,
(b) Guerra do Contestado,
(c) Cangaço,
(d) Revolta da Chibata.

5) Assinale o momento da aula que mais chamou atenção e responda o porquê da alternativa.
(a)Brasil República e os conflitos sociais
(b)Fragmentos sobre o Cangaço
(c) Morte de Lampião
(d) Os cangaceiros e a forma de sobreviver no sertão nordestino.

   Porque:_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________




RECURSOS DIDÁTICOS:
Para o desenvolvimento da aula será utilizado os seguintes materiais: giz,quadro-negro, textos impressos, mapa do Brasil, questionários, fragmentos de literatura de cordel.

REFERÊNCIAS:
FERRERAS, Norberto O. Bandoleiros, cangaceiros e matreiros: revisão da historiografia sobre o Banditismo Social na América Latina. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/his/v22n2/a12v22n2.pdf.  Acessado em 18 de abril de 2010.

MODERNA, Editora (org.). Projeto Araribá: história. São Paulo: Moderna, 2006.

OLIVIERI, Antonio Carlos. O cangaço. São Paulo: チtica, 1995.

SOUZA, Rainer. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiab/rebelioes-na-republica-velha.htm . Acessado em 19 de Abril de 2010.

Sites usados na pesquisa:

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/cangaco.htm . Acessado em 17 de abril de 2010.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cangaco/cangaco-6.php. Acessado em 17 de abril de 2010.
www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia_pdf.kmf?cod=8224602 .Acessado em 21 de abril de 2010.



1    Texto produzido por Lucineia Moreira de Souza, a partir das leituras feitas da bibliografia citada nas referências.

Um comentário:

  1. Professora, foi muito boa a forma como o cangaço foi abordado. Mostra que a senhora tem cuidado em fazer com que o aluno se aproprie de uma informação da nossa história com coerência. Diferentemente de profissionais que se limitam a abordar o cangaço de maneira pejorativa.

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